Notas sobre a atuação do Psicanalista
- Ug Cobra
- 2 de mar. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 25 de set. de 2021
A caricatura conhecida do analista é que ele é silencioso e que a análise transcorre ao sabor da fala do analisando. Disso se trata apenas de caricatura. De fato o analista tem perspectivas, expectativas e objetivos, inclusive decepções, pois se encontra em uma posição política, estratégica e tática, segundo Lacan.
A essência da técnica analítica é criar no psicanalista um estado particular de expectativa para a realização de uma experiência singular, saber perceber fora de si mesmo, em si o que é exterior de modo inconsciente, o inconsciente na análise (Nasio, 1999, p. 9). Ou seja, o desejo do analista, de forma inconsciente, para, uma surpresa, numa vertigem, que o analista tenha ocasião de fazer a experiência da análise.
É preciso saber que não é na direção do tratamento que o analista vislumbra esta possibilidade, mas que é necessário que o conduza para criar este momento que se traduzirá na experiência analítica. Para tanto, diz Lacan, o analista sustenta o semblante do analista, o semblante de mestre, se sustenta no lugar de suposto saber. O tratamento analítico, segundo Nasio (1999, p.10), é o conjunto do caminho que o analista e o analisando seguem; e a experiência analítica são estes momentos de ruptura, de sequência transferencial.
O objetivo mais imediato é fazer surgir a sequência de transferência, ocasião em que o analista abandona a posição de domínio, de direção, para assumir o lugar de objeto de transferência.
A condução de uma análise apresenta quatro diferentes fases, quais sejam: Fase de retificação subjetiva: momento em que o paciente apresenta o sentido de seus sintomas. É no nível do sentido que o analista faz sua primeira intervenção, a retificação subjetiva. É devolver ao paciente a impressão tirada daquilo que foi escutado.
Fase dos dois Atos psicanalíticos fundamentais: aceitar analisar o paciente e o ato de enunciar a regra fundamental. Estes atos transmitem ao paciente a relação simbólica do psicanalista com a psicanálise. Trata-se, segundo Násio (1999) de um quadro transferencial ou sugestão.
Fase da transferência, em que a demanda de amor sofre decepção. É o momento fecundo, doloroso e passional da análise (NÁSIO, 1999, P.15). Esse momento se caracteriza pelo retorno do recalcado, que traz consigo um amor que fere. É neste momento que o analista faz silêncio-em-si, para fazer surgir o Grande Outro. Se o analista faz silêncio-em-si é ele quem dirige o tratamento. É um momento difícil para analista e analisando, pois é necessário que se frustre a demanda de amor, ato extremamente doloroso para o praticante de psicanálise que ainda percorre seu próprio caminho de análise. E difícil para o paciente que através da resistência não se abre para a experiência de abertura do Eu até o objeto de Gozo.
Fase da Interpretação ou fase da análise da transferência. Neste momento aparecem sintomas novos, próprios da relação analítica, e que percorrerá um longo caminho até sua última fase que seria a fase de atravessamento do fantasma (NÁSIO, 1999).
Referência Bibliográfica
NASIO, Juan-David. Como trabalha um psicanalista. Tradução Lucy Magalhães; revisão técnica Marco Antônio Coutinho Jorge. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.



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