Sobre o medo de agendar a primeira sessão
- Ug Cobra
- 14 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de jan. de 2025
Se existe algo muito comum entre todos que começam uma psicoterapia ou uma análise, é o medo que surge de marcar a primeira sessão. Esse momento é algo tão intenso e interessante que existem muitos livros e documentários que falam acerca do tema.
Ligar para o analista e pedir uma sessão não é pouca coisa. É um ato, antes de qualquer coisa. Ele se pergunta “Tudo aquilo que vivi até então, foi de acordo com o que eu queria? O que eu queria era mesmo meu desejo?”.
Esse medo também nos indica um desejo.
É um momento paradoxal e interessante. É necessário vivê-lo. É necessário dar voltas, ensaiar, pensar em como vai falar com o analista. É necessário fantasiar como será esse primeiro encontro, o que será falado. É preciso experimentar tudo que nossa fantasia produzirá, pois não há muita argumentação lógica e razoável que possa quebrar as relutâncias e paranóias de uma neurose. É só quando a angústia se apresenta com muita força, que algo dessa resistência e medo se quebram, dando lugar a alguma ação possível.
Marcar uma sessão é um gesto inaugural. É claro que há o outro lado disso, que é o de COMPARECER a essa sessão. De encarar a angústia que surge de estar na presença de um analista. O que não é fácil, porém, não é um bicho de sete cabeças. Não é à toa que a Psicanálise está há mais de um século entre nós. Quase 150 anos de existência na cultura. Freud está mais vivo do que nunca. E nesse tempo todo, muitos de nós em nossas vidas pudemos testemunhar algum parente, amigo ou conhecido que foi transformado pelos efeitos da palavra.
Também por isso vemos uma crescente presença da psicanálise na cultura. A Psicanálise é afiada e cortante. Ela tem um compromisso com a verdade, que se traduz em uma prática regida por uma ética. A ética do desejo. O analista é um objeto que está ali no encontro dos inconscientes, apostando na transmissão de uma experiência que ele viveu também como paciente.
Talvez aí esteja um pouco da raiz do medo de ir a uma análise. Porque lá é o encontro com o inevitável em nós. O encontro com aquilo que não cessa de não se inscrever, com aquilo que não conseguimos enganar. Com a angústia, o real e nossa própria história, afinal.



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