A angústia, a verdade e a posição de refém.
- Ug Cobra
- 14 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
A angústia é um afeto que não mente, nos diz Lacan. Quando ela surge, parece que tudo se empalidece e a situação angustiante nos domina, toma conta do nosso olhar. Cada pessoa responde de uma maneira singular ao aparecimento da angústia. Ela nos dobra e nos toma.
Muitas pessoas chegam ao consultório querendo se livrar permanentemente dessa angústia que aparece em função de alguma coisa que aconteceu em suas vidas. O estado de angústia pode ser uma experiência terrível, pois é uma experiência sem palavras.
A angústia fala algo de nós. Ainda que seja uma experiência ruim, ela tem um dizer sobre nós. Um dizer que fala de algo muito primitivo e muito singular. Que fala também dos nossos desejos outrora reprimidos por alguma razão ao longo de nossa história. Tudo que vamos criando no entorno desta angústia é, de certa forma, para nos colocar em uma distância segura em relação a ela.
Em uma análise, através dos dispositivos que a operação clínica permite, o paciente vai entrando em contato com essa angústia, de forma paciente, respeitando o seu tempo singular perante essa situação. Cada tempo é um tempo de construção dos elementos rumo à uma transformação do sujeito que fala da sua angústia. Em algum momento, este paciente outrora muito angustiado ou muito desconfiado e defensivo sobre a possibilidade de sentir angústia, começa a aprender a escutar, suportar e fazer algo com ela.
Esse “saber fazer” que vai sendo construído nas interações com a angústia e seus objetos causadores, é aquilo que vai levando o paciente a um outro lugar perante sua própria existência. É como se ele tomasse nova posição perante uma situação ao qual sentia-se extremamente refém.
Christian Dunker nos diz que essa posição de “refém”, essa sensação de “obrigação” a um comportamento ou gesto, esse “eu tenho que” nos aponta um sintoma. E sintoma é algo que criamos para lidar com a angústia. É com a escuta de si através de um outro (o analista) que conseguimos sair de certas posições de refém da angústia para quem sabe um pouco de liberdade do desejo.



Comentários