A dor e travessia de uma separação amorosa
- Ug Cobra
- 26 de set. de 2021
- 2 min de leitura
Atualizado: 8 de abr. de 2022
Terminar um relacionamento amoroso, quase sempre, será um evento de muita dor. A experiência desse final é também o início de uma rememoração do tempo passado, em todas as suas cenas. Tanto a lembrança das coisas boas, que na época pareciam pedaços de uma história ainda a ser construída.
No momento que um relacionamento termina, pelas razões que sejam, toda aquela expectativa, toda aquela construção e esperança, elas morrem. De repente aquele(a) que você tinha uma convivência, intimidade e confiança, se torna alguém cujo o inevitável futuro é se tornar um estranho. E isso é algo dolorido. A separação de um outro nos obriga a aceitar que futuramente, aquele que antes era algo presente, se tornará um passado, um estranho para nós.
O desespero que sentimentos tentando lidar com tudo que aconteceu é uma experiência dolorosa. Nós remontamos pedaços e pensamos no que poderíamos ter feito diferente. Nesta hora existem muitas coisas que podem ser feitas como um trabalho de cura. Alguns se recolhem se isolam e abrem caminho para uma depressão, uma melancolia, uma fobia. Outros resolvem tentar sair, fazer outras coisas, forças situações sociais que ajudem a esquecer.
A Psicanálise propõe algo diferente. Ela propõe que falemos sobre isso. Mas não é um conversa fiada de mesa bar, despretensiosa e sem muito compromisso com a delicadeza. Não são falas que envolvam culpabilização ou moralidades, é algo diferente. A Psicanálise é uma campo de conhecimento desenvolvido por Freud há mais de 150 anos e que desde então vem auxiliando e ajudando muitas dores. A fala do paciente que a Psicanálise se propõe a escutar é uma fala que com o tempo vai revelando algo do íntimo da pessoa, do desejo. É uma fala que vai remontando as coisas primeiras que antes faziam desse relacionamento cujo final foi tão doloroso, tornar-se algo diferente. Nem melhor, nem pior, mas sim, algo diferente, um novo material de trabalho e criação.
É um processo que leva tempo e comprometimento. É necessário que a pessoa vá pelo menos uma vez na semana falar com esse Psicanalista que está sempre ali atento aos detalhes e que presta atenção e se aprofunda em tópicos que muitas vezes você mesmo, enquanto paciente, considera bobo ou desnecessário.
Falar é recordar, repetir e elaborar, elaborar é lidar com a possibilidade de criar uma nova percepção e esvaziar o excesso de significado e sentido que antes havia ali. Um excesso que sufocava e que levava aos mesmos lugares. Uma dor que ficava girando no mesmo lugar. Um looping infernal a procura de uma frase que desse sentido e portanto que libertasse. Falar é um trabalho longo e dedicado. Depois de um tempo, as coisas vão mudando. Rachaduras se abrem na certeza infernal da dor e assim, quem sabe, é possível derrubar um edifício velho e tentar criar algo novo.
É óbvio, fica uma saudade, após todo o trabalho de luto e elaboração. Mas mesmo ele também se torna suportável, de uma forma diferente. A transformação de si é uma jornada e uma experiência única. Ela machuca muitas vezes, mas ao final de tudo, quando alcançamos um outro lado, ficamos um pouco mais satisfeitos de ter, em primeiro momento, ter arriscado em fazer algo diferente das nossas vidas.



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