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A queda dos ideais que sufocam.

  • Foto do escritor: Ug Cobra
    Ug Cobra
  • 14 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Júlio era um jovem brilhante cujas questões pessoais o cegavam. Ele não não conseguia se enxergar como alguém de sucesso tal qual seus ex-colegas de faculdade a quem se comparava diariamente. Ele andava pelas redes sociais, procurando pelos recortes de vidas alheias, algo que pudesse falar dele mesmo. Procurava de forma errante, um pai que dissesse “você vale a pena”. Por alguma razão ele se sentia um fracasso. Sempre às voltas com um ideal supremo de sucesso e poder ao qual ele não entendia muito bem e que também não sabia viver.


Lacan nos falava sobre o grande Outro, uma instância simbólica em nós que é o conjunto de todos os significantes que foram compondo nossa visão da vida. Esse grande Outro, que é como essa “voz” que fala conosco a todo instante. Que pode ser também um olho que nos vigia e um abismo que nos suga. Então, quanto mais alienados, mais vulneráveis e à mercê de qualquer opinião nós estamos. Impregnados em um registro da realidade que só foca sua visão naquilo é imagem. Algo do simbólico se perde, uma outra voz se perde.


É preciso então, sair da posição infantil de quem espera um reconhecimento, para a posição do adulto.


Um processo de análise tem a ver com isso. Uma travessia de si, que é um si mesmo formado por outros. Como diria Sartre “fazer algo com o que fizeram de mim”. Falar e compreender as vozes que nos deixaram. Ironicamente, Julio sempre gostou de música. Tocava instrumentos e cantava. Mas nunca viveu esse prazer plenamente. Talvez, o barulho ensurdecedor dessa Outra voz ocupe todo o espaço na cabeça dele.


Fazer uma análise é também aprender a perder. Perder a certeza de que a voz que fala, possui toda autoridade em nos definir. Perder o bom lugar passivo da infância, onde as vozes do pai e da mãe nos diziam o que fazer.


Existe uma música ao qual sou apaixonado que se chama “Under a dying sun” e em um trecho ela nos fala assim “De debaixo de um sol moribundo / Pego no meio de escapar do escapismo / Acontece que admitir a derrota exige muita energia”.


As vezes precisamos perder para então ganhar.

 
 
 

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Ug Cobra
Psicólogo e Psicanalista

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