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Crônica das montanhas e da esperança.

  • Foto do escritor: Ug Cobra
    Ug Cobra
  • 14 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de jan. de 2025

No final de 2023 eu soube do filme “A sociedade da neve”. No início de 2024, quando o assunto era o Oscar, só se falava disso. Eu nunca tive coragem de assistir o filme, mas me dediquei a ler sobre aquela história. Não sei porque, mas fui arrebatado pelos relatos, que atravessaram minha alma, rasgando algum entendimento da vida que eu nem entendia que tinha. Eram jovens amigos, cheios de esperança, que por uma fatalidade do destino, se viram presos no meio de uma montanha gelada e cruel. Estavam desamparados e com medo.


Ao final de setenta dias, eles são resgatados. O mais insano disso é que o rapaz que desceu a montanha com equipamento feito dos tecidos que sobraram do avião e das malas, fora aquele que não sobreviveria, pois teve um traumatismo craniano gravíssimo. Porém, a neve gelada o salvou.

Talvez a coisa fascinante dessa história seja essa mensagem confusa e impactante de esperança.

Todos nós nos enxergamos presos em montanhas geladas ao qual não vemos escapatórias no decorrer dos anos. Esses momentos são apavorantes, tamanho o desamparo que sentimos. Mesmo tendo Sentimos que não temos nada, mesmo tendo algum apoio. Diante do impossível, nos reinventamos e damos um jeito de também sobreviver e descer a montanha, mesmo que a custo de uma perda muito grande nossa. Seja essa perda, a perda ilusões que tínhamos de que o mundo poderia ser igual ao anterior, antes das tragédias que nos acometeram. Nada será como antes.


Na história do Milagre dos Andes, vemos perdas terríveis, de tamanha magnitude, que somente elas poderiam permiti-los viver mais um dia, para tentar ir embora dali.

Assim é conosco diante da vida. É preciso de um ato de coragem e loucura, para se mexer no frio, no desamparo e angústia. Para ter movimento, para se reerguer, para encarar a morte e principalmente a vida.

Por mais que os anos que passaram não tenham sido exatamente como idealizamos, eles foram anos vividos, que tiveram sua função, ensinamento e lugar.


A gente vê novo valor na vida e suas pequenas coisas, depois que consegue descer mais uma montanha gelada.


Pro ano que vem, eu faço os meus mais sinceros votos de que você consiga ter a bravura de encarar as tuas montanhas. Feliz 2025.

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Ug Cobra
Psicólogo e Psicanalista

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