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Crônica sobre o apagar das luzes

  • Foto do escritor: Ug Cobra
    Ug Cobra
  • 14 de jan. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 16 de jan. de 2025

Nunca nos sentimos tão despreparados, nus e desamparados, como quando diante da morte, da separação e do abandono. Ninguém nos ensina de verdade como lidar com essa dimensão da vida. A gente só aprende atravessando e sobrevivendo a isso.


A reminiscências e lembranças de uma vida batem no nosso peito todos os dias. As memórias vão e voltam com a maré dos afetos e dos lutos. Tudo que nos aflora, vem como um tapa na nossa cara, que no primeiro momento faz um estampido alto e no segundo momento começa a arder.

Eu sempre me senti nauseado diante do fim. Nos momentos de separação e abandono, o luto chegava para mim como algo aterrorizante, ao qual eu queria fugir, pois me causa náuseas. É preferível tomar todos os remédios do mundo, ser amigo de toda a Psiquiatria, do que ter que lidar com essa coisa tão sem-palavras, tão sem metafísica, tão seca: a morte.


Esse “isso” que é experiência comum de todos nós, é um grande mal-estar presente do qual ninguém escapa, do qual muitos já fizeram livros, teses, poesias, coaching e explicações neurológicas. Isso nos relança de volta à vida quando a dor vem pelas bordas, querendo morder a gente. Diante do desamparo total, se a gente consegue aguentar o tranco, a esperança vem como um chute na bunda que diz “não há nada que você faça a não ser viver muito bem o tempo que lhe resta”.


Eu sinto muito medo desse mal-estar. É claro que isso não me impede de viver. Mais ainda, às vezes, isso até me rende alguma criação pra vida. Porém, aguentar o tranco sempre é assustador, para todos nós. Esse texto eu escrevo como uma crônica vacilante e narcisicamente acabo também falando tudo e nada de mim. Escolhi minha profissão com nenhum nobre propósito a não ser aprender a lidar com ‘’isso’’ que nos arranca o peito.


Eu vejo no amor, na solidariedade, no cuidado e principalmente na palavra, um caminho pra aguentar a pressão da inevitável ‘dor de existir’. Quanto mais a gente envelhece, mais a gente percebe que é preciso saber o momento de ser gentil ou cruel diante de um momento aterrador. Mais a gente entende que nem razão pode nos salvar, mas sim, as trocas. Entre amigos e amores. As trocas podem fazer algo diante disso.


Eis aqui minha troca.

 
 
 

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Ug Cobra
Psicólogo e Psicanalista

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