Das dores que nos levam ao consultório
- Ug Cobra
- 14 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Lacan dizia que procuramos uma análise quando algo não vai bem. Em uma entrevista na revista Panorama, em 1974, ele afirmou que é o medo que leva uma pessoa à análise. Medo de coisas que podem acontecer com ela, medo daquilo que não entendem.
Freud criador da Psicanálise dizia sobre a sensação de um estrangeiro dentro de nós. (Se é dentro de nós, não deveria ser estrangeiro). E esse desencontro tem efeitos de sofrimento que eventualmente nos levam ao consultório de um analista.
O medo, o pavor, a angústia, aquilo que não encaixa, aquilo que se repete, nos causa sofrimento. O sofrimento por sua vez, toma formas e jeitos. Surgem sintomas que tentam dar conta disso tudo e encaixar todas as coisas numa existência pretensamente pacífico e controlada.
Uma das grandes sacadas de Freud e que depois foram aprofundadas e elaboradas por Lacan, foi essa ideia de que o ser humano não é um amontoado de certezas das coisas que ele percebe na vida. Ele não é um acumulado de saberes conscientes que se bem organizados, nos darão uma direção clara para um curso de ação. Muito pelo contrário, a condição humana é a de um conflito, sempre divididos entre o que pensamos querer, o que podemos e o que devemos. E diante disso ainda existe um pano de fundo, bastidores, onde acontecem coisas que escapam de nosso processo consciente de pensamento.
A questão “o que nos leva a um consultório” não é tanto o sofrimento claramente sentido por alguém. Aliás, não é somente o sofrimento. Eu apontaria que uma das grandes causas é o enigma por trás desse sofrimento. O enigma do sofrimento que nos convoca a querer tentar desvendar isso.
“Por que me sinto tão mal?”, “por que sofro tanto com essa situação?”, “o que ela quer de mim?”. Muitas vezes essas perguntas são o bojo infernal que fazem uma pessoa seguir repetindo erros que a assolam e incomodam. Mas também são o enigma que pode fazer uma pessoa ir a um consultório, falar de si e do que sente.
A escolha de um analista é outra pauta oriunda dessa discussão. Como se escolhe um/uma analista? Bom, a resposta está no conceito de transferência. Mas isso fica para um próximo texto.



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