O amor, o desejo e o impossível das trocas simbólicas
- Ug Cobra
- 20 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
A ideia e o conceito de Simbólico em Psicanálise são cruciais para quem frequenta o divã de um analista. Digo isso porque é um dos maiores atravessamentos que acabamos tendo ao longo do caminho analítico.
Estamos sempre operando nos três registros da experiência humana que sustentam as estruturas psíquicas: neurose, psicose e perversão (alguns dizem que o autismo seria uma quarta).
No Imaginário, o predomínio é do que se desmancha ao vento. As imagens e aparência. No Real, estão as coisas que escapam ao dizer. No Simbólico, encontramos as palavras, a falta e, por consequência, o desejo.
É na experiência do Simbólico que conseguimos sustentar um diálogo com o outro sem levá-lo à categorias extremas: nomeando-o de forma rude, “você não me ouve porque é explosivo(a), grosso(a), não me entende”. No Simbólico, reconhecemos o campo da falta. E uma vez que essa falta se inscreve em nós de outro lugar, levando-nos a uma nova gramática dos afetos, tornamo-nos capazes de entender que, muitas vezes, não se trata de o outro “não querer” nos escutar ou oferecer algo. É que, talvez, ele esteja impossibilitado. Barrado. Interditado. Enclausurado em seu próprio universo.
Esses são os desencontros da vida: quando queremos algo para o qual o outro não consegue conceber ou sustentar - porque é impossível para ele, na sua estrutura, no seu modo e na sua história.
Uma análise nos conduz ao Simbólico (também). E no Simbólico começamos a compreender e aceitar o impossível. Alguns escolherão encarar esse impossível, ainda assim. E é aí que reside o gesto ético: escolher o impossível advertido de que está fazendo isso, responsabilizando-se pela miséria que eventualmente pode encontrar. Ou, quem sabe, pela sorte que pode mudar.
Mas, para que o impossível entre duas pessoas mude (que se tente pelo menos), é preciso muito trabalho simbólico. E certa prática deste trabalho, vamos encontrar em uma análise, falando e escutando os pedaços singulares de nosso medo e pavor de sermos incompletos.



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