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O que o amor nos faz esquecer... (e lembrar)

  • Foto do escritor: Ug Cobra
    Ug Cobra
  • 20 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

A verdadeira dimensão da vida nos escapa. Isso se dá não porque somos incapazes ou preguiçosos, mas porque é necessário que seja assim. A Psicanálise chama essa dimensão de “Real”. Para além da realidade, há o Real, uma experiência psíquica do indizível da realidade.


Experimentamos o Real na angústia, em cenas e momentos da vida onde a morte se faz presente. Onde não há a princípio, palavra que dê conta de nomear o que se sente. O estômago que embrulha diante de uma decepção, de uma perda, de um abandono… O Real está aí em todos estes momentos.


A fantasia de cada um de nós é aquilo que nos protege do Real da realidade. Basta por um segundo olhar em volta, em noticiários, na tv, que você vai perceber, que não há (como disse Lacan) coisa mais desbaratada do que a realidade. Temos nossas crenças, nossas âncoras, nossos atos de fé, para acreditar que há um grande bom senso que atravessa a todas as pessoas. Mas não é bem assim.


A recusa desse impossível que se apresenta, de que na verdade o mundo tem seus limites e que as pessoas gozam de um gozo sem muito sentido é o que faz com que a maioria de nós sofra numa tentativa desesperada em enxergar o sentido em tudo.


No meio dessa intensidade, cuja nossa fantasia toma parte, o amor é uma das coisas que criamos para lidar com o Real. O amor é essa proteção, essa bela mentira, que nos protege. O amor é um dos mais fascinantes temas para mim, junto da sexualidade e da morte. De tantas dores que escutei ao longo dos anos, vi que as mais recorrentes eram dores de amor.


Sempre tive tanto a falar sobre o amor, na medida que me interessava por seu mistério. O amor é aquilo que nos ocupamos, para não pensar em todo o resto. Nossa mortalidade e a dos outros. Nossa finitude. O amor nos dá sentido, mas também pode nos jogar no inferno e nos fazer atravessar este mesmo inferno.


Amor, desejo, gozo, fantasia… são temas recorrentes na Psicanálise e na vida de cada um. Mesmo que não saibamos disso ainda.


Quanto mais avançamos na vida (se damos um espaço para pensar nesse tipo de coisa), mais vamos compreendendo que sobre o amor, sabemos de fato muito pouco. Sobre a vida, menos ainda. Mas de nossas fantasias, somos especialistas

 
 
 

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Ug Cobra
Psicólogo e Psicanalista

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