Um texto sobre o que não queremos ver
- Ug Cobra
- 20 de ago. de 2025
- 1 min de leitura
Por que nos cegamos? Ou melhor, por que nos negamos a ver o que está à nossa frente?
Essa é uma pergunta capciosa. A definição do suposto “óbvio” em nossa frente, depende muito da lente em que se analisa esse óbvio. O que é óbvio para um sujeito não alienado é muito diferente para o sujeito alienado.
A tal cegueira é uma questão de perspectiva.
Freud nos apontou que o ser humano falante é dividido em sua subjetividade. Ele não é senhor de sua racionalidade como gosta (e precisa) pensar. Mas nele opera uma terra estrangeira, que é o inconsciente. Essa terra possui suas determinações e seus imperativos de prazer proibidos, que se traduzem na nossa terra familiar da consciência. Diante disso, estamos sempre em conflito entre aquilo que queremos e aquilo que supostamente deveríamos.
Os sintomas que criamos - por sintoma entenda um ‘modo de ser da pessoa no mundo’ - são formas de lidar com a realidade e com aquilo que é intraduzível da realidade.
A realidade não é uma coisa boa. Ela é algo confuso e contraditório. As pessoas também. Como navegar tudo isso, senão por uma crença absoluta de que há sim um bom senso latente em todas as pessoas? Como não se cegar diante de certas circunstâncias?
Como não se cegar diante do amor por outra pessoa que cedo ou tarde percebemos que só quer saber de si mesma, de suas selfies e seu reconhecimento no mundo?
Como não se cegar diante do nosso gestor (chefe) que entendemos que não deseja nosso avanço e nosso bem?
É preciso(é?), muitas vezes, fantasiar para sobreviver.



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